Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Ho lat Seng

Macau e a sua economía (Especial, cuarta parte)

Em dezembro de 2024 será comemorado o 25º aniversário da devolução da ilha de Macau à China por Portugal. No marco desse aniversário, Carolina Aldea Arias, achega um especial para nos aproximar a um dos pontos estratégicos da Grande Bahia...
Apartados xeográficos China e o mundo chinés
Palabras chave China Macau lusofonia

Macau enfrentou a pandemia com um modelo de resiliência turística e recuperação económica1. A região adquiriu uma posição única para resistir economicamente ao COVID-19 graças à liquidez financeira dos casinos2, à ajuda às PMEs e à transparência do Governo3. A continuação da atividade turística permitiu as reservas fiscais para a ajuda económica e reforço do sector do jogo. Medidas como o pago de voos a residentes que voltavam ou cobrir os gastos de quarentena em um hotel, ajudaram a manter o turismo e reter os despidos. Porém, em termos económicos só Hong Kong e Macau têm sido as únicas duas cidades da área de Cantão (Guangdong) que mostraram um crescimento negativo do PIB durante a pandemia, Macau experimentou a maior caída4.

Trás o COVID-19 o número de turistas voltou despontar e a indústria dos casinos continuou com sua atividade. Porém, as PMEs viram-se afetadas pelas políticas adotadas durante a pandemia5 e, com as medidas tomadas, a taxa de desemprego subiu a 3,5% a princípios do 2020 frente ao 2,3% de dezembro de 20196.

Durante a pandemia conseguiu-se um fomento do consumo e produção regional, com empresas locais a colaborarem entre si para otimizar os recursos e servir ao governo. Trás o COVID-19 tentou-se uma volta à economia anterior. Em 2021 Macau foi a economia número 149 do mundo em exportações totais e 110 em importações totais. As principais exportações são joalheria ($242M), equipo de transmissão ($170M) e relógios de metais preciosos ($162M). Os seus principais destinos são Hong Kong ($1,13MM), China ($206M) e Estados Unidos ($120M). Por outro lado, importa de China ($3,29MM), Hong Kong ($2,4MM) e Francia ($501M). Os principais produtos em chegarem ao país são joalheria ($955M), relógios de metais preciosos ($514M) e eletricidade ($488M)7.

Uns dos principais focos futuros para o intercâmbio comercial de Macau é o projeto da Grande Baía. O projeto da Grande Baía é um plano de desenvolvimento do Governo Central para a área do Delta do Rio Perla e que afeita à zona de Cantão (Guangdong), Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen y Zhaoqing. Así como às regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau8. Surge como projeto para a transformação da manufatura tradicional de maneira sustentável e ante o “Made in China 2025” a pretender reforçar a indústria e ter em conta o meio ambiente. Até então o Delta do Rio Pérola, com Hong Kong, tinha-se convertido em um ponto de referência para o mercado internacional e o capital humano. Porém, o desenvolvimento de este, tem-se topado com problemas nos últimos anos. A degradação meio ambiental ou desigualdades socioeconómicas do lugar chocam com o desenvolvimento sustentável pelo que China Continental está a começar a apostar.

O objetivo do projeto da Grande Baía é promover um desenvolvimento verde a se servir dos novos avances tecnológicos como a inteligência artificial. Macau converte-se, junto com Hong Kong, em uma cidade chave para o projeto pela sua abordagem legal com outras potencias estrangeiras. Assim mesmo, a melhora da conexão entre o mercado da região traduz-se em recursos e promoção para a iniciativa “A Faixa e a Rota” cuja última intenção é o comércio e cooperação internacional9.

Porém, um dos maiores problemas da região continua a ser a escassa diversificação de setores por não permitir o desenvolvimento no âmbito do comercio de bens. A hegemonia do setor do jogo mantém o seu status desde a liberalização da indústria em 2002. Na atualidade o monopólio no campo está a evolucionar pouco a pouco a uma competitividade entre o mercado de casinos10, não parece ser suficiente para a diversificação. Antes do COVID-19 os ingressos brutos deste setor ascendiam a 36.500 milhões de dólares, aproximadamente 5,5 vezes os do mercado de Las Vegas nos Estados Unidos. Os ingressos unicamente do jogo significavam um 78% dos totais em 201911 e os chegados do turismo em geral um 91,8%. A necessidade de diversificação da economia segue a ser patente na atualidade como um apoio chave para o desenvolvimento sustentável. Em 2019, um 65,5% do emprego em Macau era relativo ao turismo, o que faz à região dependente de ele para o avance e desenvolvimento económico12. A procedência dos visitantes é, em um primeiro lugar procedente da China Continental 70,9% (em 2019), seguido por Hong Kong com um 18,7% e Taiwan com 2,7%13. A estância por individuo costuma ser entre 2 e 3 noites14, dato em consonância com a proximidade dos turistas e a sua disponibilidade de tempo livre.

Macau desemprega um papel importante como mediador comercial entre a China e o estrangeiro. O Governo central pretende o apoio na RAE para melhorarem as relações internacionais e implantarem uma política sustentável. Embora a região continua a depender do setor do jogo para a inversão em desenvolvimento, tem sido incorporada a projetos comerciais para poderem aumentar a sua presencia internacional.


Bibliografia

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  • Puah, C. H., Sia, P. C., & Jong, M. C. (2022). Modelling tourism demand in Macau: A panel analysis. Review of Economics and Finance, 20, 763-768.

  • 1 McCartney, G., Pinto, J., & Liu, M. (2021). City resilience and recovery from COVID-19: The case of Macao. Cities, 112, 103130.
  • 2 McCartney, G., Pinto, J., & Liu, M. (2021).
  • 3 Im, U. L., Lam, C. C. C., & Ma, E. (2021). The effective responses of a tourism and gaming city towards the devastating effects of pandemic: a case study of Macao. International Journal of Tourism Cities, 7(2), 492-510.
  • 4 Liu, C., & Lin, Y. (2022). Macau’s sustainability and diversification. Business Economics, 1-5. DOI: https://doi.org/10.1057/s11369-022-00260-9
  • 5 Alves, J. C., Lok, T. C., Luo, Y., & Hao, W. (2020). Crisis challenges of small firms in Macao during the COVID-19 pandemic. Frontiers of Business Research in China, 14, 1-23.
  • 6 Im, U. L., Lam, C. C. C., & Ma, E. (2021).
  • 7 OEC. (2021) Perfil del país: Macau. OEC World En: https://oec.world/es/profile/country/mac
  • 8 Li, C., Ng, M. K., Tang, Y., & Fung, T. (2022). From a ‘world factory’to China’s Bay Area: a review of the outline of the development plan for the Guangdong-Hong Kong-Macao Greater Bay Area. Planning Theory & Practice, 23(2), 310-314.
  • 9 Li, C., Ng, M. K., Tang, Y., & Fung, T. (2022).
  • 10 Liu, C., & Lin, Y. (2022).
  • 11 Liu, C., & Lin, Y. (2022).
  • 12 Puah, C. H., Sia, P. C., & Jong, M. C. (2022). Modelling tourism demand in Macau: A panel analysis. Review of Economics and Finance, 20, 763-768.
  • 13 Puah, C. H., Sia, P. C., & Jong, M. C. (2022).
  • 14 Ali Bavik, Antónia Correia & Metin Kozak (2021) What Makes Our Stay Longer or Shorter? A Study on Macau, Journal of China Tourism Research, 17:2, 192-209, DOI: 10.1080/19388160.2020.1745346