A degradação econômica da natureza, ciclo da Borracha, mineração e terras raras, a permanente luta dos povos Indígenas frente ao Capital
Tiumí. Fotografia do autor (1998). Tiumí já é falecido ha muitos anos

Povo Oro Towati e genocidio na Uru-eu-wau-wau

A Terra Indígena Uru-eu-wau-wau, com uma área de 1.832.300 hectares localizada no estado de Rondônia, Amazónia brasileira, divisa com a Bolívia, é território de inúmeras etnias indígenas, com povos isolados e sem contato com a sociedade nacional. Entre os povos que vivem tradicionalmente na Uru-eu-wau-wau está a etnia Oro Towati, também conhecidos como Oro-Win. Vivem ancestralmente a beira do rio Pacaás Novas e falam língua do tronco Txapacura. Nas décadas de 1950, 1960 e 1970 sofreram bárbaro genocídio, com centenas de mortos por expedições coordenadas por seringalistas, donos dos seringais de extração do látex, da borracha.
Apartados xeográficos Cooperación ao desenvolvemento

Por causa da exploração da borracha nas seringueiras, inúmeros massacres foram perpetuados, com morte de crianças recém-nascidas, violação as mulheres e meninas e todas as formas de crueldade. No início da década de 1970, na única comunidade da etnia Oro-Win, mais de duzentos indivíduos foram assassinados, sobreviveu pouco mais de doze membros, sendo um único homem adulto, Tiumí, chamando pelos brancos de Salomão.

A Terra Indígena Uru-eu-wau-wau somente foi demarcada e homologada, reconhecida oficialmente pelo Estado brasileiro em 1991. Tiumí sobreviveu ao massacre pois estava caçando na floresta, quando retornou para aldeia viu corpos mutilados, sua mulher e esposa amarrada na árvore com o ventre cortado por facão, morta e seu bebe pendurado pelo cordão umbilical morto. O genocídio do Povo Oro Towati não foi o único por causa do ciclo da borracha e extração do látex, centenas de povos foram exterminados, executados, mortos da forma mais cruel, tortura, mutilação de corpos, violação as mulheres, envenenamento, gripes, doenças e escravidão sexual. Essa história se repete na Amazónia e com os Povos Indígenas, a exploração do capitalismo sobre os recursos naturais e bens da natureza.

Atualmente a mineração é uma das maiores causas de genocídios dos povos originários, como o exemplo da Terra Indígena Yanomami na divisa com a Venezuela. De 2018 a 2022 o maior número de mineradores, garimpeiros invadiram o território Yanomami, causando a contaminação dos rios e da água com mercúrio, doenças sexualmente transmissíveis, violação sexual de crianças, fome, terror e morte de crianças por desnutrição e doenças cancerígenas. Ao lado da mineração estão facções criminosas com narcotraficantes, trafico de mulheres, armas, entorpecentes, animais silvestres e ouro. Esse processo tem se chamado de “narcogarimpo”, com participação de elites políticas e econômicas nacionais e internacionais. A exploração do ouro, diamante, madeira, “agribusiness” (em destaque soja) e no momento, a tal Terras Raras. Certo que as principais vítimas serão os povos indígenas, seus territórios ancestrais e sua cultura milenar e diferenciada. A história se repete, o colonialismo, o capitalismo insaciável e depredador do ser humano, da cultura e do planeta.