Por causa da exploração da borracha nas seringueiras, inúmeros massacres foram perpetuados, com morte de crianças recém-nascidas, violação as mulheres e meninas e todas as formas de crueldade. No início da década de 1970, na única comunidade da etnia Oro-Win, mais de duzentos indivíduos foram assassinados, sobreviveu pouco mais de doze membros, sendo um único homem adulto, Tiumí, chamando pelos brancos de Salomão.
A Terra Indígena Uru-eu-wau-wau somente foi demarcada e homologada, reconhecida oficialmente pelo Estado brasileiro em 1991. Tiumí sobreviveu ao massacre pois estava caçando na floresta, quando retornou para aldeia viu corpos mutilados, sua mulher e esposa amarrada na árvore com o ventre cortado por facão, morta e seu bebe pendurado pelo cordão umbilical morto. O genocídio do Povo Oro Towati não foi o único por causa do ciclo da borracha e extração do látex, centenas de povos foram exterminados, executados, mortos da forma mais cruel, tortura, mutilação de corpos, violação as mulheres, envenenamento, gripes, doenças e escravidão sexual. Essa história se repete na Amazónia e com os Povos Indígenas, a exploração do capitalismo sobre os recursos naturais e bens da natureza.
Atualmente a mineração é uma das maiores causas de genocídios dos povos originários, como o exemplo da Terra Indígena Yanomami na divisa com a Venezuela. De 2018 a 2022 o maior número de mineradores, garimpeiros invadiram o território Yanomami, causando a contaminação dos rios e da água com mercúrio, doenças sexualmente transmissíveis, violação sexual de crianças, fome, terror e morte de crianças por desnutrição e doenças cancerígenas. Ao lado da mineração estão facções criminosas com narcotraficantes, trafico de mulheres, armas, entorpecentes, animais silvestres e ouro. Esse processo tem se chamado de “narcogarimpo”, com participação de elites políticas e econômicas nacionais e internacionais. A exploração do ouro, diamante, madeira, “agribusiness” (em destaque soja) e no momento, a tal Terras Raras. Certo que as principais vítimas serão os povos indígenas, seus territórios ancestrais e sua cultura milenar e diferenciada. A história se repete, o colonialismo, o capitalismo insaciável e depredador do ser humano, da cultura e do planeta.

