Os limites de uma superpotência
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A nova crise que se avizinha

Perante os rumores de que tropas Francesas e Britânicas estão já em Odessa para atacar a Transnístria, sempre com o foco nas eleições parlamentares da Moldávia no dia 28 de Setembro, cujos resultados se não forem os desejados (como na Roménia), podem ser o desencadeante de um novo conflito que amplie a sombra da guerra na Europa do leste e que nos distrai; não devemos esquecer que estamos à beira de uma nova crise económica, que será a que corresponde a uma mudança de ciclo na hegemonia do planeta. Não sabemos se chegará antes do final de 2025 ou no começo de 2026... Mas mais cedo ou mais tarde chegará. E os sintomas são inequívocos.
Liñas de investigación International Relations
Palabras chave policrise

Os EUA não podem já manter exércitos estendidos por todo o planeta, dispersos na Ásia, Oriente Médio e agora na América central. Tudo isso tem um custo, e avista-se uma retirada já anunciada da Europa. Este é o motivo pelo que os Europeus querem envolver os EUA numa guerra na Ucrânia, Moldávia, ou nos países Bálticos, para que não transpareça a impotência e a incapacidade dos Europeus, numa guerra total na Europa.

A propósito da presença norte-americana no Caribe. Não é um facto casual a ameaça a um país petroleiro ao mesmo tempo que se cortam os vínculos energéticos da Europa com a Rússia, e se impõem compras massivas de gás e petróleo à UE durante as negociações das tarifas. Os EUA têm as suas próprias necessidades energéticas, e para satisfazer as de todos, melhor negociar com os recursos alheios a bom preço.

O Reino Unido independentemente do partido que governe, tem também um papel fundamental em toda esta poluição. Tanto militar como económica. Estão por detrás e acompanham as sanções económicas da UE, provam armas e vendem-nas, e assessoram e dão inteligência no terreno ao exército de Zelensky. Na guerra de tarifas têm um prémio de 5% de melhora em comparação com a UE, tarifas e isenções para certos sectores, e um compromisso de tratamento preferencial perante futuras medidas. Tudo são vantagens substantivas com respeito daqueles resultados alcançados pela UE em Washington. Além disso, fomentando a violência russófoba, e a divisão dos eslavos para meter a colher nos futuros intercâmbios de matérias-primas que se negociariam em Londres, jogam uma vez mais com o mapa das fronteiras da Europa, sem piedade. E trata-se nestes dias em Londres uma ampliação da guerra à Transnístria e Moldávia, de tal modo que se possa estender mais a linha da frente na Ucrânia, para obrigar os russos a cruzar o Dnieper e ir para Odessa, para que desça a pressão e o ritmo das conquistas Russas na frente do leste, diante de um exército ucraniano que recua pouco a pouco.

O braço de ferro com a China está também perdido depois da demonstração de equipamentos militares nas celebrações do 80 aniversário do fim da segunda guerra mundial, e do lançamento do novo porta-aviões CNS Fujian (福建舰). Os USA já sabem que não podem com a China tampouco militarmente, e não se vão meter em conflito. O terceiro Porta-aviões Chinês lançado ao mar a semana passada foi um aviso de capacidade, não só militar. Não é uma wunderwaffen… e os Chineses sabem que podem acabar com um navio desse tipo em 5 min em alto mar, pois dispõem de drones e mísseis que fazem obsoleto esse tipo de equipamento próprio das artes da Segunda Guerra mundial. Os Huthis puseram em cheque estes navíos com tecnologias muito pobres. O lançamento do porta-aviões era só uma tentativa de documentar a capacidade de fazer, de criar, e de criar em meses. O que os outros países conseguem em lustros China fez-o em muito pouco tempo. Essa é a advertência real.

A decadência do US dólar é a outra perna do gigante de barro. Cada vez são mais evidentes as intenções do resto do mundo, de realizar intercâmbios noutras moedas, ou por outros meios. Por isso a administração Trump é favorável ao entorno cripto. Sem negar que estes mecanismos servem a todo o tipo de branqueamento e contrabando. De escapar da moeda americana que lhe dava o privilégio ao hegemon, de viver a crédito produzindo moeda, e comprar o que o resto do mundo produzia. O que antes era tabu só falado entre bastidores – sentença de morte para aqueles líderes que se atreviam a vociferar em público o abandono do dólar (Gaddafi dixit)- , fez-se evidente para todos. E agora rubricam-se em público transações para celebrá-lo, em modo cerimonial desde que estalou a guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Vai-se por tanto verbalizando no entorno dos BRICS esse ânimo emancipador. Tornando-se visível a decadência do velho sistema unipolar.

Agora as elites dos EUA, em maior medida indústrias de armamento, sabem que vem a caminho uma grande crise. Uma crise que afetará o mundo global ainda interdependente, e com maior peso recairá no mundo “ocidental”. Pode ser que se dê uma “lucidez terminal” nos EUA, à custa duma transferência de custos à UE. Mas será um efeito transitório a curto prazo. As elites seguem os seus planos com indiferença, a fazer toda a caixa que podem, antes que o teatro da Ucrânia e da Palestina, que nos têm distraído, se acabe. E se possível os pagamentos dessas armas necessárias virão dos europeus, que para isso têm a NATO, coisa que Donald Trump não para de repetir. Não convém afogar os lares americanos antes de tempo.

Esperemos que finalmente não sejam capazes os medíocres líderes europeus de forçar um desesperado confronto direto USA – Rússia, que seria contra-natura para ambos, e para nós. Se isso não ocorrer, vamos viver uma etapa de turbulências económicas até que o livre comércio se recomponha de novo, como dois cães que se pelem pela hierarquia até chegar a uma primazia chinesa, e não um confronto atómico.