O povo das ilhas, sobretudo as periféricas nao tinha como alternativa de sobrevivência, senão a prática de êxodo rural para os dois principais centros urbanos do arquipelago (Praia e Mindelo), a maioria dessa mão-de-obra vivendo em situação de desenrasco, nos bairros periféricos destas duas cidades. O centro urbano cosmopolita Mindelo em S. Vicente, ilha. ela mesma cidade, esteve sempre em contactos com outros povos e culturas e intensificou-se cedo,no porto, uma pequena economia de mercado com a sua essência e vida, enraizada, quase que exclusivamente nos *negocios¨ na chamada, baía do Porto Grande, onde ancoravam diariamente em média quatro navios estrangeiros, que faziam escala técnica para os serviços de abastecimento em água e produtos alimentares frescos e refaziam, sobretudo o *stock* em carvão para alimentar seus motores de combustão. Esse negócio foi explorado de modo frutificante, desde 1838 pela companhia inglesa East India que instalou em S. Vicente o primeiro depósito de carvão. O centro urbano, da Praia, cidade administrativa, capital do arquipelago, situada em Santiago, ilha essencialmente agrícola e *celeiro* das ilhas executou, activamente o comércio geral para responder às demandas dos assalariados administrativos locais e nomeadamente das ilhas do sul Sotavento, fornecendo produtos importados ao Maio. Fogo e Brava…
Podemos afirmar que em Mindelo a população sempre viveu em torno do porto marítimo. Os navios ancoravam na baía e eram quase que de seguida rodeados por botes que agiam paralelamente aos *negociantes de bordo*, para venderem, trocarem bebidas alcoólicas, cigarros e outros produtos, por frutas e mais artigos da terra e mesmo comprar produtos negociaveis transportados nesses navios, que eram depois vendidos a comerciantes e outros interessados de Mindelo, esses actores a maioria de maneira informal, fora do controle alfandegário. Os comerciantes formais de Santiago e S. Vicente, faziam o comércio e negócios de importação e exportação orientados à metrópole colonial.
A longínqua metrópole colonial, pouco industrializada, baseando-se na política *proteccionista* do *Estado Novo* subestimou todas as potencialidades e oportunidades de negócios destas ilhas do atlântico médio e do seu povo!
Cabo Verde embora fragilmente, praticou *economia de mercado* sob o constrangimento do *sistema fiscal* e o código de trabalho colonial, como *enquadramento institucional*, que entre outros fatores, reduziu o *trabalhador caboverdiano*, a cultura de subsistencia que nos tempos duros *mao-de-obra* a ser inserida no circuito de nova forma de *escravatura-moderna*, chamada vergonhosamente de *serviciais* exportados essencialmente para as ilhas de São Tomé e Príncipe, como assalariados agrícolas para as culturas e colheitas de algodão, cacau , café… que eram exportadas exclusivamente exportados para a metrópole colonial…
Em 1975, Cabo Verde conquistou a sua independência política e instalou-se obrigatoriamente o sistema de uma *Economia de Estado*, com planejamento econômico, como instrumento e dependendo da ajuda internacional Processo que colidiu com a realidade da economia prevalente de pequena economia de mercado que felizmente foi reposta em 1991, com a mudança de regime político para democracia e abertura de mercado.
Cabo Verde possuia as estruturas de uma economia de mercado na época da independência.
É verdade que o sistema nunca foi dinâmico e teve sempre como fraqueza notória o factor *capital*, mas reforçou-se com a abertura do mercado e instalação do regime democratico.
Hoje em 2025, Cabo Verde deve virar-se mais estrategicamente para a estratégia de desenvolvimento inclusivo, apostando no multilinguismo, ensino de qualidade e não quantidade, abraçando as novas tecnologias de informação e comunicação, diversificar o primeiro motor de crescimento econômico instituir descentralização administrativa, instalar a *Regionalizaçao¨ cultivar mais aproximação e cooperação com os governos locais (todos os municípios, fortalecer mais e melhores condições de atracção de IDE Investimento Directo Externo, associar a diáspora caboverdiana em todos os processos econômicos, financeiros e sociais…
A Regionalização e boa politica nacional se for utilizada e reconfigurada de uma articulação política multilateral que reflita os interesses os interesses superiores da nação cabo verdiana e reflita os interesses superiores de todo o seu povo, abrangendo todos os seus eixos verticais e horizontais, para se poder compensar todos os desequilíbrios a fim de alcançarmos verdadeira e finalmente a felicidade que todos os filhos destas ilhas crioulas merecem e esperam alcançar…a Felicidade

