A palavra “TABANCA”, oriunda da Guiné, referia-se a aldeias organizadas, mas em Cabo Verde passou a designar uma irmandade popular que unia comunidades em torno da fé, da música e da entreajuda. A Tabanca combina religiosidade católica (ligada às festas de Santo António, São João, São Pedro e Santa Cruz) com elementos africanos (ritmos de tambores, danças e expressões orais). O seu caráter sincrético reflete a mestiçagem cabo-verdiana e a convivência entre o sagrado e o profano.
A cultura, entendida como um processo vital e dinâmico que abrange todas as expressões da existência humana, tem uma relação intrínseca com o desenvolvimento sustentável e as alterações climáticas. Património cultural, conhecimento tradicional e modos de vida não apenas refletem a diversidade cultural, mas também constituem ferramentas essenciais para a adaptação e mitigação da crise climática.
Estudos de caso demonstram diferentes abordagens para a proteção do património cultural e promoção do desenvolvimento sustentável. Pesquisas sobre património imaterial, conhecimento ecológico tradicional, turismo sustentável e conservação de sítios arqueológicos destacam a necessidade de políticas culturalmente sensíveis e inclusivas, que respeitem as comunidades locais e promovam a justiça climática.
Historicamente, as Tabancas funcionavam como associações de socorro mútuo, apoiando os membros em momentos de dificuldade (fome, doença, funerais). Durante os séculos de colonização portuguesa em Cabo Verde, representaram também um espaço de resistência simbólica e cultural, face à opressão colonial e à marginalização social…
Os seus cortejos e festas, realizados entre maio e junho, são marcados por música, danças, trajes coloridos e encenações teatrais, lembrando o Carnaval, mas com forte dimensão ritual e comunitária…
A culturas cabo-verdiana, evidencia e continua a trajectória de sempre, personalizando e identificando uma luta grandiosa contra a natureza hostil, contra a persistência da seca, a erosão permanente devido às “lestadas”, a persistência da seca, a emigração, o mar, a evasão, a insularidade, o amor, a saudade… ou a simplicidade de uma existência pacífica a “morabeza” que denominamos também “cabo-verdianidade”.
Para se expressar, o cabo-verdiano, utiliza no quotidiano da sua vida a sua lingua materna, que vamos identificar de única e comum, com algumas diferenças de pronúncia e de vocabulário praticamente consoante a ilha referencia mas realmente SANTIAGO nao e SAO VICENTE mas a expressao linguista apresenta algumas diferenças tais como o frances que se pratica em Paris, tambem e diferente da mesma lingua falada em Marselha, a nossa lingua materna e expressiva e musical, e traduz melhor o lirismo popular cabo-verdiano… e o que falhou foi que nunca mereceu suporte algum escolar, durante os longos 500 anos da colonização portuguesa…
Defendemos que a integração da cultura nas políticas de desenvolvimento sustentável e na ação climática é crucial para garantir um desenvolvimento inclusivo, equitativo e resiliente. Reconhecer o valor intrínseco da cultura e do património, respeitar os direitos culturais das comunidades e adotar práticas culturalmente sensíveis são passos fundamentais para enfrentar os desafios das alterações climáticas e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável…O pais vive ainda a passagem da tempestade ERIN na ilha de São Vicente, devastada por -cheias pluviais- numa ilha onde praticamente não caia chuvas…
Voltando a cultura confirmamos que a língua imposta pelo colono na area de comunicação e de comércio inicial, transformou-se com o tempo, na língua CABO VERDIANA que resistiu e sobreviveu desde a noite dos tempos, continuando após a abolição da escravatura, em 1876. Assim Cabo Verde teve um desenvolvimento literário bastante independente do resto do mundo lusófono. O colono tentou minorizar a nossa lingua materna e propositadamente, não criando oportunidade para seu suporte escolar e tragicamente, marginalizando essencialmente as manifestações culturais cabo-verdianas populares que se viram interditadas de serem praticadas sobretudo na cidade capital Praia, (Santiago) foram os casos da TABANCA a e do BATUCO…!
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Bibliografia
- Tempo Exterior nº 50 Christoph R. Schreinmoser 2025
A relación entre a cultura, o desenvolvemento sustentábel e o cambio climático no panorama internacional actual - CARDOSO, Pedro Folclore Cabo-Verdiano Paris-Lisboa 1953
- CARREIRA Antonio Formaçao e Extinºao de uma Sociedade Escravocrata

