Embora sejamos um país frágil, conseguimos a distinção honrosa de país de rendimento médio e estamos empenhados em atingir uma classificação mais elevada. Temos consciência de que não será fácil, mas o que mais nos motiva, a nível nacional, é essa vontade política — essa força que nos manteve sempre unidos perante múltiplas adversidades, como situações de fome, a resistência à pandemia e outras dificuldades que não nos impediram de construir uma sociedade sólida.
Graças aos nossos valores socioculturais, conseguimos escolher e destacar caminhos modestos, mas realizáveis, formalizando conquistas e aplicando, na prática, medidas exigentes que nos permitiram dar um salto qualitativo social e económico. Assim, este pequeno país-arquipélago alcançou um nível de progresso económico reconhecido internacionalmente.
Cabo Verde tem a obrigação de investir mais em novos projetos e ousar mais, mas sempre com os pés bem assentes no chão.
Devemos continuar a reforçar áreas fundamentais, como a educação, a saúde e a qualidade de vida, entre outras.
Cabo Verde, enquanto país-arquipélago do Atlântico médio, deve aproveitar melhor a sua posição natural privilegiada.
É essencial dinamizar uma economia marítima que inclua o transporte entre todas as nove ilhas habitadas, a instalação de indústrias de reparação naval mais competitivas, o desenvolvimento da pesca em alto-mar e a criação de condições para instalar, em todas as ilhas habitadas, a indústria de conservação de pescado. Além disso, é importante diversificar a oferta turística, com o apoio de um transportador aéreo nacional.
Estas atividades ajudar-nos-ão a tirar melhores proveitos do nosso potencial, enquanto detentores de uma vasta zona económica exclusiva, beneficiando também do nosso posicionamento geoestratégico entre regiões de grande intercâmbio comercial, possivelmente das mais relevantes do mundo: a África continental, a Europa, a América do Sul e Central, os Estados Unidos e, de forma intermédia, as rotas associadas ao Canal do Panamá.
Acreditamos que a boa preservação dos nossos recursos marítimos é essencial para garantir o sucesso da indústria pesqueira nacional. A rápida recuperação dos stocks de peixe dependerá da implementação de medidas restritivas às atividades pesqueiras internacionais nas nossas águas territoriais.
Temos a obrigação de controlar, de forma rigorosa, a aplicação prática das quotas por espécie de peixe e de não nos acomodarmos perante o que parecem ser acordos pouco vantajosos com a União Europeia, no âmbito dos acordos de pesca.
O pescado garante proteína e nutrição ao povo cabo-verdiano. A escassez que se tem vindo a sentir estará, muito provavelmente, ligada à pesca excessiva praticada nas nossas águas.

