Não devemos esquecer que neste contexto os EUA também fecharam um acordo com a China para retomar as exportações de terras raras, que estavam congeladas no meio de um impasse tarifário o que aliviou as tensões geopolíticas entre as duas potências. E o acordo entre o Ruanda e a República Democrática do Congo segue-se a um outro acordo sobre minerais com Kiev, em abril, que foi apresentado como um reembolso pela anterior ajuda dos EUA no conflito da Ucrânia com a Rússia. Embora a cláusula de reembolso tenha sido retirada do acordo final, Trump disse que os EUA poderiam “em teoria” recuperar “muito mais” do que gastaram.
O tratado atual cria do mesmo jeito um “quadro de integração económica regional” que liga o Ruanda, a RD Congo e os EUA a través da cooperação, o respeito da integridade territorial, o desarmamento dos grupos armados não pertencentes aos Estados, a proteção dos direitos humanos dos deslocado pela guerra. Mais os motivos humanitários são o verniz decorativo tras os verdadeiros motivos destes acordos.
A região rica em minerais detém as maiores reservas de cobalto do mundo e contém depósitos significativos de ouro, lítio, cobre e coltan. Após a assinatura, Trump recebeu os dois enviados africanos na Sala Oval e convidou os seus presidentes, Felix Tshisekedi e Paul Kagame, a virem a Washington para uma futura ronda de acordos. Trump, falando antes da assinatura, disse que o acordo daria aos EUA “muitos dos direitos minerais da (República Democrática do) Congo”. Embora não sejam mencionadas transferências específicas no texto, o acordo promete “expandir o comércio externo e o investimento” nas cadeias de abastecimento de minerais regionais e lançar “cadeias de valor mineral” conjuntas de ponta a ponta que “liguem” ambos os países ao governo dos EUA e aos investidores dos EUA no prazo de três meses. Dispõe-se aqui um clausula que fecha a possibilidade de negociar acordos com outras potencias com ambições ou interesse nestes recursos como Europa que tradicionalmente tem agido a través da Bélgica, China que já está presente no país ou Rússia que está amplamente ativa no continente africano.
Um acordo separado que assegure novos direitos dos EUA sobre os minerais congoleses é esperado numa data posterior, e vem a ser o resultado das conversações mediadas pelo Qatar entre a RD Congo e o M23 em Doha. As conversações são independentes da mediação dos EUA, mas são consideradas fundamentais para pôr fim às hostilidades, uma vez que envolvem negociações diretas com o M23, um grupo armado proeminente na região. O Qatar terá apresentado um projeto de plano de paz à RD Congo e ao M23 no início deste mês, esperando-se que ambas as partes consultem os seus líderes antes de retomarem as conversações.
Em definitiva, o acordo faz parte do esforço mais alargado de Trump para garantir o acesso a minerais essenciais por qualquer meio, mesmo através de “desinteressados” esforços de mediação de conflitos.

