A Polónia, entretida a engrandecer o seu exército com equipamentos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, não tem tempo para conversas fiadas, e manda passear os juízes alemães que lhes enviaram o mandado de captura europeu para o extraditar, enquanto se enrola para criar o maior exército da NATO (com a permissão dos turcos), para combater obviamente o inimigo russo. Ou não…
Os seus ministros têm longa tradição atlantista. E até combateram os russos ao lado dos talibãs no Afeganistão, como no caso do ministro dos negócios estrangeiros, Radosław Sikorski. E de caminho fazemos-lhe concorrência ao vizinho, ao nos oferecermos como ponto de entrada alternativo do gás natural liquefeito americano para fornecer a Ucrânia e a Eslováquia com o gás de Fracking ultramarino. Acordos com os EUA, que já se vinham a trabalhar desde 2017, e que pretendem agora dar fruto.

Neste panorama, Ângela Merkel já tinha advertido que as relações com a Rússia se tinham arrefecido por causa da Polónia. Embora pense que não são só os polacos os responsáveis por esta rivalidade sem sentido. Mas o estupor foi ainda maior quando o co-líder da Alternative für Deutschland, a AfD, um partido de extrema-direita alemão, afirmou que a Polónia se podia tornar uma “ameaça para a Alemanha” porque a sua agenda política era outra… Talvez seja o indicador de que as progressivas ampliações da UE foram um erro quando os objectivos não são comuns? Ou talvez esta não seja a Europa à medida da Alemanha?
O caso é que à Alemanha chove-lhe em casa, pois se bem é legítimo que cada país tenha os seus próprios interesses, em cada ocasião que se apresenta no contexto internacional, nasce um novo motivo de chantagem do outro lado do Óder e do Neisse. O apoio inicial à Ucrânia por parte da Polónia consistia, de início, na entrega de 300 tanques T72, de época soviética, que uma vez entregues se tornaram automaticamente num convite para que a Alemanha fornecesse de borrado Leopardos para o exército polaco. Quando generosamente se oferecia à Polónia os velhos Mig29 para a Ucrânia, os polacos choramingavam em troca que a Alemanha doasse Tornados. E mesmo no final do ano 2025 voltaram outra vez as reivindicações de 1,3 biliões de euros, por reparações da segunda guerra mundial. Descobriram os alemães que pedir não tem cancelas!
Em definitivo, neste contexto de anarquia comunitária, falta de liderança, e de fracasso dos projectos belicistas dos países sob o guarda-chuva de Ursula Von der Leyen (fracassos na Europa como em África…), acentuam-se as tensões entre países no seio da NATO como da UE. Impotentes, agora vêem-se na obriga de defender a Gronelândia de um inimigo diferente, com o qual não contavam, ou optam por uma saída discreta destes fóruns (em França já se colocam sair da NATO), ou então edulcorar as narrativas para mascarar outra derrota colectiva numa batalha impossível.

